Alunas do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária analisaram os bairros Jardim das Tulipas, São Camilo e Tamoio.

Entre os diversos tipos de desastres naturais, os escorregamentos de terra e as inundações urbanas são os mais comuns no Brasil, sendo responsáveis por inúmeros impactos socioeconômicos e ambientais. Ainda em 1970, a incidência desses desastres aumentou significantemente devido ao intenso processo de urbanização, e a tendência é que a ocorrência desses desastres aumente ainda mais no futuro.

Levando em consideração os impactos causados por esses desastres, as estudantes do curso de graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária do Unianchieta Andresa Marques da Costa, Natália Ester G. de Oliveira e Verônica Ferreira de Barros Leal, sob orientação da professora Dr.ª Raquel Carnivalle Silva Melillo, desenvolveram um projeto de pesquisa de iniciação científica que visa o reconhecimento das áreas e a classificação dos riscos nos bairros Jardim das Tulipas, Jardim Tamoio e Jardim São Camilo, em Jundiaí.

As estudantes apontam que, para analisar essas áreas, foi preciso levantar dados por meio de pesquisas e informações disponibilizadas pela Defesa Civil, além de realizar visitas nos bairros para investigar o uso e a ocupação do solo, as estruturas das construções e a posição do leito dos rios localizados próximos a esses bairros.

Um dos principais pontos relevantes da pesquisa é que o município de Jundiaí está localizado na bacia do Rio Jundiaí, além de ter várias sub-bacias, como a do Rio Jundiaí-Mirim, e microbacias, como o Córrego do Ribeirão Caxambu, Córrego do Moisés e Ribeirão Caguaçu. Ainda, a nascente do Rio Capivari – pertencente à bacia do Rio Piracicaba – também está localizada em Jundiaí.

Para coletar e analisar os dados das áreas de risco, as autoras usaram, inicialmente, uma ficha de cadastro disponibilizada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na qual foram identificados os indicadores naturais, como vegetação, relevo, cobertura superficial e drenagem, e os indicadores antrópicos, que são o número de moradias, padrão urbano, tipologia das construções, etc. Em seguida, foram analisadas as evidências de movimentos de massa e as características dos locais.

Com base na carta de suscetibilidade do município de Jundiaí, os resultados apontaram que, nos bairros Jardim São Camilo e Jardim Tamoio, há risco de movimentação de massa devido à declividade – inclinação – do terreno e à posição da ocupação em relação à encosta e aos cursos d’água. Já no Jardim das Tulipas, o risco de inundação se dá devido à tipologia dos processos geológicos e hidrológicos e por conta da posição da ocupação em relação à encosta e aos cursos d’água, uma vez que o Rio Jundiaí está localizado no entorno do bairro, o que aumenta as chances de inundação nessa região.

As áreas de cada bairro com maior risco de deslizamentos/enchentes são:

  • Jardim das Tulipas: Avenida Marginal do Rio Jundiaí;
  • Jardim São Camilo: Ruas Benedito Basílio Souza Filho, Avenida São Camilo e Rua Aurélio Segala;
  • Jardim Tamoio: Morro do Balsan.

Os resultados obtidos na pesquisa possibilitaram o conhecimento das áreas de maior risco de escorregamento de terra e inundações, sendo as ocupações irregulares uma das condicionantes mais expressivas para esses tipos de desastres.

As autoras do projeto acentuam que a ocorrência desses desastres está sempre associada a perdas econômicas, sociais ou ambientais e, mesmo com as visitas periódicas realizadas por agentes públicos e com um sistema de envio de mensagens de textos (SMS) aos moradores que residem nessas áreas, é preciso investir em melhorias contínuas para diminuir o risco nessas áreas, como mudanças estruturais – construção de canaletas, ampliação da rede de esgoto, por exemplo – e educação social e ambiental para a população.

 

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